terça-feira, 17 de junho de 2008

Atividades Literárias

Não morri ainda.

***

O frio deve ter algo que inspira mais as pessoas. Já me disseram certa vez que a grande quantidade de escritores que existem no lado norte do mundo, nas regiões mais frias, se deve exatamente ao clima mais rigoroso de lá. Algo sobre ficar mais tempo dentro de casa, com mais tempo para ler e escrever etc. Além de que qualquer um ficaria inspirado descansando na frente da lareira, vendo a neve cair do lado de fora da janela (de uma casa de troncos de madeira, no alto de uma colina salpicada de coníferas... ta, chega de sonhar).
Mas tem algo a mais aí. Tem caroço nesse angu. O frio daqui do sul é tão rigoroso como lá, mas como é só um período por ano, não chega a nos fazer ficar dentro de casa. Bem afortunados (ou não) os que não sabem o que é sair da cama às seis da manhã, o sol nem chegou a nascer ainda, com a agradável temperatura de 1ºC para menos.
Mesmo não sendo tão inspirador como o lá das’oropa (como diria minha vó), o frio daqui também transmite certa magia. A prova viva disso é minha professora de Física. Como todos bem sabem, o humor não é uma das características mais encontradas em professores de Física, tampouco a simpatia. Então, para minha surpresa, enquanto subo a escada para a escola, escuto a infame piadinha sobre ter que se vestir como cebola para suportar esse frio, vindo da boca de quem? Sim, da professora de Física.
Aproveito a oportunidade para esclarecer que ela é uma das melhores professoras que eu já tive, com um amplo conhecimento na sua área, mas usei o exemplo dela por que realmente ela é uma exceção à regra dos professores dessa matéria.
E não são só os doutorandos em física que são afetados, pois eu, um mero estudante de Eletrônica, também acabei sendo acometido pela inspiração (três vivas para o frio: ip ip uhaa!). No início do frio, comecei uma historinha, minha primeira narrativa com um pouco mais de complexidade, e ela ta começando a ficar legal. Nada de coisas herculeamente grandes, no máximo umas dez páginas de Word. Se ficar legal, apenas SE eu gostar, talvez eu poste ela aqui, em partes.
Está valendo um monte como experiência, nunca tinha tentado escrever algo dessa magnitude. E estou me deparando com vários problemas que eu sequer imaginava que poderia encontrar. Grande parte deles eu já esperava; aficionado por leitura como sou eu por vezes notava uma ou outra manobra dos autores para evitar um erro de continuidade, uma troca de palavras para evitar que essas palavras perdessem a “força” necessária em outra ocasião, um ou outro comentário que é retomado bem depois, e a lista segue um monte.
Uma das coisas mais marcantes nessa aprendizagem foi a escolha das palavras, e mais do que isso, das frases. Em grande parte das vezes, não é o que tu diz que importa, e sim como tu diz, que palavras que tu usa pra dizer etc. Uma analogia interessante é o som de fundo de um filme. Imaginem a cena do tubarão espreitando o protagonista com aquela clássica musiquinha que deixa qualquer um com os cabelos da nunca em pé. Agora troquem o disco da cabeça de vocês e botem pra rodar simultaneamente à cena do tubarão algo como o Creu ou a Dança do Quadrado. Não dá. Simplesmente não dá. Nessa situação, a platéia ia se acabar de rir nas cadeiras do cinema enquanto as tripas do personagem voavam pra todos os lados e a câmera filmava a água avermelhando.
Isso do cuidado de quais palavras usar eleva a escrita quase ao nível de ciência exata, por que o escritor, além de apresentador de uma história ou de o que quer que seja que ele apresenta, também passa a ter o trabalho de manipular através das palavras escolhidas as emoções do leitor para que ao final do texto o leitor tenha a sensação que o escritor quiser. E é também isso que faz um escritor ser diferente de outro. Do mesmo jeito que algumas pessoas gostam de galinha e outras gostam de gado, algumas pessoas vão reagir diferente à alguma palavra ou frase que lerem. E como o escritor sempre escreve do jeito mais propício ao que ele gostaria, as reações das pessoas vão ser diferentes conforme seu gosto e percepção da escrita. Como a diferença no tempero de cada chef.
Acabei me empolgando e enrolando as idéias, mas tentem espremer algum sentido do parágrafo anterior que vão acabar ganhando alguma coisa no que pensar.
Antes de passar a assuntos cotidianos, eu tinha vontade ainda de falar mais umas coisinhas sobre isso para vocês. “Contratei” alguns beta-readers para o meu texto (dois até agora, só um deles leu por enquanto) que ainda nem está terminado, e um deles (o que leu) ainda me deu uma idéia que eu nem tinha pensado para a trama. A trama está bem complicadinha agora (pelo menos para um marinheiro de primeira viagem como eu), e essa idéia representa muito bem o que eu disse antes sobre a percepção que cada um tem do que lê.
“Contratei” está entre aspas por que não estou pagando nada. Eu entro com o texto, eles entram com a leitura do texto e com todas as críticas possíveis e imagináveis, e eu me permito uma dose cavalar de prepotência ao pensar que o pagamento deles já é o próprio serviço a que se prestam, hehehe.

***

As notas do primeiro trimestre superaram as minhas expectativas. Estão todas bastante acima da média e recebi elogios de vários professores. Quero ver manter minha média lá no alto até o final do ano. Numa escola que pega pesado como a que eu estou, eu não duvido de que seria um feito inédito terminar o ano com tudo acima de 8. Quero dizer, eu me contentaria com 6, mas tentar tirar o máximo que puder não vai fazer mal pra mim.
Hoje comi como um porco o dia todo. Como os ursos polares, eu preciso da camada de massa adiposa para sobreviver ao frio. Conhecido também como pneuzinho isolante térmico. Quando começar a esquentar de novo, eu faço uma dieta e reduzo de tamanho novamente, até ficar com o corpo esbelto que me é característico (ui, gostosão!) e poder participar de festas em piscinas ou caminhadas sem camisa sem vergonha nenhuma das pelancas.
Sábado que vem é a Festa Junina mundialmente conhecida entre meus amigos do coral, onde eu vou me esbaldar para comemorar os resultados do trimestre puxado que eu tive na escola. O quentão não vai ter álcool (o álcool evapora durante o preparo) mas eu não me importo de tomar um porrão psicológico, hehehe. Quero ter uma overdose de felicidade (há séculos que eu não usava essa expressão).

Enfim, vou me recolher ao meu iglu e entrar em hibernação como meus colegas da massa adiposa isolante. Não sei quando volto e não me esperem para antes de uma semana. Talvez o frio me inspire bastante nos próximos dias (como hoje: quando foi a última vez que escrevi quase duas páginas de Word de um texto que eu considerei aproveitável?) e eu escreva, mas nada é certo além da morte. Final macabro, hehehe.

Abraço!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Fim do Trimestre

Nada como fim de trimestre para aliviar o peso na consciência de ter que conseguir nota na cabeça dos CDF’s. Nas outras pessoas, esse peso só aumenta com a chegada dessa época.
Eu nunca me considerei CDF, mas agora me assumi mesmo. Saí do armário (ui!), hehehe. As notas estão boas, boa parte das matérias eu estou bem acima da média, precisei fazer poucas recuperações... E o tempo que seria usado nas recuperações que eu não fiz foram devidamente usados para esticar as pernas, chutar o pau da barraca, fazer de conta que é rei, essas coisas. Não estivesse o tempo glacialmente frio nos últimos dias e eu não tivesse pegado uma gripe do c*, teria tudo sido perfeito.
E por falar em gripe, teio algubas coisas bra dizer bra vozês. Meu nariz bateu todos os recordes mundiais e intergaláticos de produção de muco, conhecido também por meleca, mas principalmente por ranho nosso de cada dia nos dai hoje. Já usei todas as fraldas que sobraram de quando eu era criança (aquelas que podíamos reaproveitar; eu era um bebê ecologicamente correto), mas meu nariz continua sem dar sinais de que vai parar de pingar. Pelo menos eu sei que depois que essa gripe passar, meu corpo vai estar imunizado contra ela. Claro que o fato de existir mais duzentos e tantos vírus diferentes que podem causar uma gripe igual deve interferir de algum modo, mas prefiro não pensar muito no assunto. E isso vai cair na prova trimestral, coleguinhas**.

Bem, deixando o colégio e o frio de lado, tenho mais algumas coisas pra dizer pra vocês. Minha mãe arranjou um namorado agora. Antes eu até gostava da criatura, mas agora não posso olhar pra ele sem vontade de sei lá, não entendi essa vontade ainda. É algo misturado com tortura, empalamento, exílio, e outras coisas mais, mas no fundo sei que isso é involuntário. Não é tanto pelo cara, qualquer pessoa que se aproxime da minha mãe mais do que 100 metros e continuar se aproximando, e se aproximando, é uma vítima de assassinato (cometido por mim) em potencial. E ela já ta cachaceando falando em casamento, morar junto, essas coisas de menina que sonha com o príncipe encantado. Eu nem sei como reagiria a uma situação dessas, estou acostumado demais a ser o homem da casa e a ter uma privacidade invejável 24 horas por dia. Ter uma cueca que não é minha no varal é uma coisa que eu dificilmente vou voltar a aturar. Tem certas coisas que se aprende com o tempo, mas essa é uma das coisas que eu não quero aprender. Desde que meu pai morreu em 2004, nunca mais morou nenhum homem além de mim aqui em casa. Se morar, ou eu mato, ou eu viro punk. Minha mãe faz de conta que não escuta, mas deixa pra lá. Sei que é errado pensar assim, mas eu tenho certeza que não vai dar certo. Pronto, falei. Esse é um blog e uma das propostas dele (vide subtítulo) é descarregar desabafos. E esse parágrafo imenso foi um deles.

Cortando o assunto ruim, agora, só tenho a dizer pra vocês mais as coisas de sempre: continuo lendo como se minha vida dependesse disso (e é até engraçado: estou lendo bem mais³³³ do que eu lia quando tinha mais tempo), continuo comendo direitinho, escovando os dentes depois das refeições e falando mal dos políticos e dos religiosos xiitas nos tempos livres entre uma refeição e outra.
Ah, uma novidade, e até nem sei se é novidade, mas enfim: estou dando aulas de reforço um dia por semana na escola que eu estudava no ano passado. É principalmente voltado para a matemática, mas se um aluninho perguntar algo de outra matéria eu não me faço de rogado. É a coisa mais interessante aqueles marmanjões repetentes três vezes maior do que eu me chamando de “sor”, “tio”, e outras coisas equivalentes. Sexta feira agora vai ser o dia do Amigo da Escola, e eu vou ganhar um certificado pelo trabalho gratuito que eu tenho feito. Como escreveu o Frodo no maravilhoso livro dele, digo, no maravilhoso livro dele que agora é MEU livro maravilhoso, e onde tem dedicatória e todos os tipos de carinhos, “Reconhecimento é isso!”. Hehehe, valeu Frodo!

Bem, era isso, e me desculpem se não gostaram, hoje eu escrevi sem nenhum tipo de idéia fixa e fiz de conta que progressão temática é coisa de fresco.

Abraço!

* - u
** - os coleguinhas que me refiro são todos os mongolões (e mongolonas) que passarem por aqui. Todos deste tipo são colegas de sala meus, ;)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Saudade dos tempos da "Inocência"

É muita a saudade que tenho de postar todos os dias aqui no blog. Lembro bem do ano passado, quando pedia para a minha mãe abaixar o volume da novela no quarto dela pra eu poder me concentrar na escrita. Eu escrevia todo dia, tendo assunto ou não. É até estranho, por que a maior parte dos textos que eu escrevia na época (parece que estou falando de outra era geológica...) terminavam comigo muito satisfeito por ter feito algo tão bom, satisfeito por ter escrito tão bem, etc. Hoje olho os mesmos textos e a minha sensação em relação a eles é diametralmente oposta à que eu tinha antes: olho para eles e me encho de vergonha de ter feito alguém perder tempo com aquilo, e me encho também de espanto por alguém realmente ter perdido tempo com aquilo.
Entrava muito essa coisa de amizade e preocupação com os elogios e críticas, e talvez por isso ninguém nunca me repreendeu por escrever mal e sempre que tinham uma oportunidade para fazer isso mudavam o tom para um elogio e um empurrãozinho de esperança, do tipo “continue assim que um dia você chega lá”. Pois bem, meus mais sinceros agradecimentos, abraços, beijos franceses e cheiradas no cangote de quem nunca me desanimou mostrando-me a verdadeira face do meu falso talento. Posso dizer sem dúvida nenhuma que escrevo muito melhor do que antes, mas posso dizer com ainda mais certeza que tenho muito a melhorar. “Troco de bom grado tudo o que sei pela metade do que ignoro”.

Tenho saudade daquele tempo por que eu vivia pelo blog, todos os amigos do blog eram mais próximos, eu amadurecia exponencialmente junto do blog, e eu escrevia bem mais. Como disse, eu não me importava tanto se tinha ou não assunto, o que importava era escrever. Não tinha nada o que fazer mesmo, então o melhor a fazer era gastar o tempo escrevendo. Nesse ano eu tenho bastante coisa pra fazer, e o tempo livre que eu tenho, antes voltado para a escrita, hoje é voltado para o relaxamento mais bem relaxado que eu possa fornecer para o meu corpo e minha mente. Então, neste momento, para matar a saudade dos velhos tempos, volto a escrever sem um assunto específico, pelo menos sem um assunto específico do cotidiano. A vida segue sem sobressaltos, e os sobressaltos da vida são o que eu consideraria um assunto suficientemente importante para ser abordado aqui nesse espaço virtual.
Por exemplo, fui numa festa sexta-feira. Em outro momento isso ocuparia um texto inteiro, falando dos cheiros estranhos impregnando a atmosfera do lugar, do barulho ensurdecedor que só pode ser considerado música na hora, e da minha falta de sucesso em certos objetivos que me levaram a participar dessa tal festa. Esse último tópico seria a parte central do texto, e abordaria o meu inevitável pensamento de que eu devo ter um tipo de magnetismo animal de polaridade reversa (adoro essa expressão), ou que eu expilo nerdeza pelos meus poros. Terminaria o texto com uma conclusão porca e o pedido de que todos os meus leitores que sentam para fazer xixi dessem alguma opinião a respeito.
Eu poderia dizer também que no sábado eu fui cantar em uma festa das mães numa igreja. Narraria passo a passo o que aconteceu, evidenciaria que meus ouvidos latejavam graças à festa infrutífera da noite anterior, evidenciaria mais ainda que éramos apenas quatro cantores, mas o que eu deixaria mais evidente, à despeito das outras evidências, era que havia sido um sucesso e que ninguém prestou atenção aos erros.
E, em outro texto provavelmente, eu iria aglutinar tudo o que eu pudesse escrever sobre o café com os amigos no domingo, sobre as notas do colégio, sobre o vento norte (quente!!) que havia soprado sobre a região na semana anterior mas que havia sido rebatido pelo ar polar que toma conta agora, e iria falar, quando faltasse assunto melhor, das nuances do meu humor sensível.
Mas não vou encher-lhes os ouvidos hoje. Aprendi com o tempo que certas coisas simplesmente não interessam, e muitas das coisas que eu poderia dizer são algumas dessas coisas. A vida continua sem sobressaltos, e isso já é o suficiente para eu fazer um texto sem assunto específico para hoje.

Abraço!

domingo, 18 de maio de 2008

Let the Sunshine In

Como a esmagadora maioria dos adolescentes estudantes, eu não gosto de acordar cedo. Ante a perspectiva de passar mais umas 16 horas (no mínimo) em pé, a minha atitude é lançar um olhar mortífero para o despertador e amaldiçoar todas as notas musicais daquela musiquinha infernal que eu escolhi como alarme – a entrada do Pânico na TV, que antes eu adorava, mas que agora não posso escutar sem sentir-me mal -, mesmo sabendo que a atitude certa seria dar bom dia para o mundo, beijar o travesseiro, pular da cama e fazer o maior número de exercícios de alongamento possíveis.
De uns tempos pra cá é que a tarefa tem sido mais branda. Não que agora eu adore acordar cedo, mas pelo menos eu ganho uma recompensa mais adiante. Já explico.
Quando eu levanto, o sol ainda não lançou seu querido olhar sobre este meridiano em especial. Na hora que saio para a realidade, o sol está recém saindo do meio do horizonte lá adiante, e quando chego ao topo do morro que tenho de subir para ir pra escola, já está em uma altura em que sua coloração se torna alaranjada e que, juntamente com o Céu Azul Sem Nuvem Nenhuma, forma uma paisagem lindíssima de se admirar.
Aliado a isso, como se já não fosse demais, tem ainda mais a neblina recobrindo a cidade toda como um tapete de espuma, atravessado aqui e ali por telhados ou torres, e a vibração muda da atividade de milhares de pessoas saindo de suas casas em direção à labuta. Um monte de Joões indo trabalhar e de Marias recolhendo o café da manhã (em uma visão bem machista de mundo, mas sabem o que quero dizer). É quase uma heresia reclamar da vida depois de uma vista dessas, gratuita e livre de impostos.

E estou bem feliz. A Vó do Antônio está melhorando, o coral está properando, as minhas notas do boletim próximo tem tudo para estar boas, o tempo está bom, enfim, está tudo muito bem, obrigado. Tenho deixado o blog meio às moscas, e estou devendo toneladas de visitas para os leitores que também tem blog, mas é um sacrifício que eu estou tendo de me obrigar a cometer, e prometo que ainda vou recompensá-los por não desacreditarem de mim.
Estou lendo no momento “Saco de Ossos” do Stephen King, e isso aliado a várias coisas estão me fazendo mudar minha idéia do futuro. O livro é basicamente sobre a história de um escritor que não consegue mais escrever depois da morte de sua mulher. Isso por si só não é o interessante do livro, mas o modo como o Stephen King conta a história é que é o must. Tem me feito ver que talvez a coisa que acabe sendo o mais ansiado por mim seja viver da escrita, ou viver parcialmente da escrita. Pode ser que seja só por causa do livro, mas ainda não sei. “Pode ser” por que ele escreve tão bem que conseguiu fazer eu me apaixonar por uma das personagens e que a minha vontade de escrever livros longos seja mais uma das coisas que os escritores fodões como ele conseguem fazer na mente dos leitores, e “pode não ser” por que isso não é assunto novo em pauta na minha cabeça. Cheguei até a conversar brevemente sobre isso com o Victor no MSN, mas não muito a fundo (nossa conversa naquele dia foi de “implicações filosóficas da existência ou não de Deus” até gravações que fizemos de algumas músicas).
Ta certo que é só ficção o livro, mas isso me inspira, e sonhar não arranca pedaço de ninguém. Tenho bastante tempo para resolver isso ainda, mas não pude deixar de dividir com vocês estes meus pensamentos.

Tenho certeza que eu tinha algo mais pra falar, mas estou com sono e só vou conseguir lembrar quando meu cérebro começar a escorrer pelo nariz por causa do esforço. Desejo a todos uma boa noite de sono e uma ótima semana!

Abraço!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Post Curto

E depois de tantos dias de intensa pluviosidade, eis que o inesperado aconteceu: o céu parou de cair e as nuvens finalmente se torceram até a última gota, fazendo com que o que parecia interminável chegasse ao fim. O Sol apareceu, tímido, como alguém que depois de muito tempo retorna ao grupo. Quase que perguntei pra alguém “ei fulano, o que é aquela coisa grande e brilhante no céu?”. Sério, mais alguns dias de chuva e os carros seriam substituídos por barcos, mesmo aqui em casa onde é um pouco mais alto do que o resto da cidade.
De fato, em alguns lugares da capital houveram enchentes, com mortes e aquela coisarada toda, graças ao pavimento que não respira. E não foram enchentes quaisquer, foram enchentes dignas de uma São Paulo em dias de chuva anormal. O que me faz lembrar que eu acho que tudo isso é vontade de imitar os outros estados. Vejam só: enchente como em São Paulo, ciclone como em Santa Catarina, roubalheira como em, bem, qualquer outro estado, entre outros. Daqui a alguns tempos também vamos copiar a Dengue do Rio e a “disposição” baiana.
Junto com o tempo bom, a minha disposição de espírito também melhorou. Mesmo com o tempo gela(aaaaaaa)do e depois de uma verdadeira demonstração de como árbitros podem ser ladrões na cara dura. 8x1? Me reservo o direito de permanecer calado perante isso.

Bom, hoje o texto vai ser bem curto, por que todos vocês tem bastante coisa pra ler por aí, como as notícias de defenestrações bastante comentadas, eclesiásticos voadores, de um verdadeiro “fenômeno” do dedo podre e de várias outras que, embora meu humor ácido e negro morra de vontade de comentar, meu senso de moral e educação não permite.

Abraço!

sábado, 3 de maio de 2008

Último Feriadão

A única parte ruim de um feriadão é que não se tem nada pra fazer, se é que isso pode ser chamado de parte ruim. E ainda assim não é em todos os feriadões, é mais específico desse. Não bastasse ser o último feriado aproveitável do ano, ainda está frio e chovendo, o que diminui consideravelmente as opções de entretenimento para qualquer pessoa que não queira ser um capitão de navio. E não estou exagerando: não parou de chover praticamente em momento algum desde o início da semana. E se parava, era por tão pouco tempo que não dava nem pra sentir o chão seco. As estradas já foram esquecidas, o que restam agoras são hidrovias de grande capacidade.
Com o tempo enferruscado lá fora, só me restou buscar a diversão dentro de casa mesmo. Os deveres de casa não são o tipo de coisa que eu mais gosto de fazer, mas o nome já diz: são “deveres”, então não interessa se quero ou não fazer, eu tenho que fazer. Enfim, não são divertidos, mas consomem tempo e já é alguma coisa.
Depois de terminar os deveres, li um pouco, arrumei um pouco o quarto (bem pouco, mas um pouco de magnitude tão desprezível que pode ser considerado zero), li mais um pouco, e fui tentar olhar TV. Totalmente impossível. Em todos os canais, seja doze, cinco, nove-três-quartos, etc., em todos os canais só passam notícias sobre um certo caso de defenestração largamente comentado em todo o canto do Brasil, e mesmo que todo mundo já saiba tudo que há pra saber sobre o caso, eles continuam mostrando coisas como se fossem novidades. E, enquanto isso, os políticos roubam mais um pouquinho aproveitando que os holofotes não estão neles, alguns padres alçam vôos sem volta rumo ao céu...
E a lista de críticas não pára de crescer, mas vou conter minha língua ácida antes que alguém desenterre algum motivo pra me complicar. Isso que eu nem falei no Tibet...
Mas como eu dizia, foi impossível olhar TV. Fui pro PC, as notícias me acompanharam, e mesmo no Orkut não se fala em outra coisa. Parti pros jogos, e finalmente encontrei o que há tanto tempo nem lembrava mais. A sensação de tempo perdido, a adrenalina de estar fazendo algo que não tem objetivo nenhum além de satisfazer o próprio desejo de vitória... enfim, todas as coisas que fazem de um momento eu/jogo único. Fiquei nisso até a hora do coral, e lá e de volta outra vez, e acabei aqui, escrevendo com sono mais um post que terá como marcador a palavra “cotidiano” seguida de “inútil”.

Vou indo, pois tenho que dormir para amanhã poder dormir até a hora que eu quiser, e horas dormidas é uma das coisas que eu gosto de acreditar que não faz mal mesmo em excesso. E eu também nem sei quando será a próxima oportunidade de fazer isso, snif snif...

Abraço!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Se tá na chuva é pra se molhar

No domingo vieram alguns amigos aqui em casa, como vocês já puderam notar que é usual e que eu já me acostumei. Mas o mundo muda, principalmente quando nós mesmos mudamos. Isso me lembra duas frases: “Para mudar o mundo, mude primeiro o homem” e “[...] Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo [...]”, ambas muito boas, inteligentes e escritas por pessoas igualmente boas, inteligentes e principalmente fodonas. E como eu dizia, o mundo muda quando nós mudamos. Não exatamente muda, mas nossa percepção sobre ele muda, o que o faz diferente. “Você cria um universo ao percebê-lo”, outra frase de um cara bom, inteligente e fodão.
Então, como eu estou diferente, e pelo menos acho que estou, os sentimentos que uma reunião de amigos me proporciona são diferentes também, ou mais intensos. Talvez minha sensibilidade para esses sentimentos tenha se intensificado agora que não os tenho a todo momento, vai saber. E isso me faz dar mais valor a elas, mesmo que elas aconteçam pouco e com menos pessoas do que antes. Mas quando o pessoal é bom, não interessa a quantidade de gente, vai ser sempre revigorante e calmante, uma espécie de lembrança que por trás de todos os problemas, lá no fim do arco-íris, existe um baú de ouro brilhante esperando por tolos como nós que queiram buscá-lo.
Com bastante gente, as músicas cantadas ficam mais emocionantes e os cabelos da nuca em pé são mais freqüentes, mas em contrapartida, com pouca gente, as conversas são mais compenetradas, os assuntos são mais agradáveis e a telepatia entre todos fica com o motor em um nível de potência apenas possível em algumas situações muito especiais.

Enfim, depois dessa reunião, depois do tchau, e da já conhecida sensação de vácuo no coração, voltei pra dentro de casa e fui dormir. Antes de dormir, notei que a sensação de vácuo já tinha ido embora, mas não por que fiquei menos triste pelos amigos terem se ido, e sim por que as sfihas (as maravilhas do Habib’s) estavam se comportando de maneira estranha com os goles de Coca no meu estômago, e fazendo com que todos os sensores de desconforto do meu cérebro ficassem ligados e piscando. Deixei pra lá e dormi assim mesmo.
De manhã cedo, depois de um desjejum duvidoso, fui pra escola e no caminho mesmo já notei que daria à luz um alien (Yes, momento eca!©). Passei o dia todo me tremendo na cadeira pra controlar o bicho, com sucesso. De meio dia, eu e um amigo meu fizemos uma parte de um outro trabalho megalômano que nos passaram, e viemos para minha casa abaixo de uma pequena chuva torrencial. Pelos padrões de tamanho de chuva que se conhece, era muito pequena mesmo, mas era torrencial para alguém que, como nós, não tinha guarda-chuva.
Fizemos outros temas mais urgentes, e logo depois ele foi embora. Fiquei o resto do tempo coçando e aqui estou eu, escrevendo no blog, constatando que parece que perdi a prática ou que nunca a tive, que tenho que descansar, e que quando chegarem as férias de inverno eu vou me trancar por dois dias dentro do meu quarto, em quarentena, com recomendações do médico (no caso, eu mesmo) de ficar em absoluto repouso. Recomendação que eu irei levar ao pé da letra. Ou mesmo à perna da letra, à mão da letra, ao pescoço da letra, ou talvez, para economizar tempo, levarei a letra inteira.

O título do post de hoje é apenas um trocadilho infame com minha própria situação, e com uma frase que lembrei, frase esta que deve ter sido escrita por alguém bom, inteligente e fodão.

Abraço!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O Meme do Futuro

Em um momento em que o blog ficaria vazio de textos (e cheio de traças) graças à grande falta de inspiração do seu dono, eis que surge uma luz no fim do túnel, uma mensagem dos céus, um afago amigo, um dos melhores remédios para uma mente despreparada no quesito “idéias para textos”: um meme. Quem me incumbiu de escrever o texto baseado nesse meme, em uma honorária atitude de solidariedade com o blog alheio, foi o Antônio. Valeu Antônio!

Pois então, a sacada deste meme é descrever oito coisas que eu quero fazer antes de morrer, e não algo tecnológico e futurístico como pode se interpretar a partir do título deste post. Descrever tais coisas pode ser bem complicado para mim, pois tenho várias coisas na cachola que eu gostaria de fazer, e escolher oito dentre elas para partilhar com vocês vai ser difícil, ou talvez divertido, veremos.
Mas antes de começar, um comentário básico sobre esse meme: perguntar o que se quer fazer antes de morrer é bem sádico, ainda mais em uma época como a que estamos vivendo, onde reencarnações de deuses hindus fazem chacinas, onde imagens de santos são quebradas durante procissões... é, algo não me cheira bem nesta história, e olha que não é cocô de elefante.

1 – Escrever um livro

Vocês sabem que eu gosto pouco de escrever, e menos ainda de ler, então é inevitável que tal coisa apareça na minha lista de tarefas agendadas para antes do meu último dia. Para desempenhar essa auto-incumbência, só me faltam mais alguns anos de prática, de técnica e de experiência, além, é claro, de uma idéia milionária. Se chegar a escrever um livro, quero que seja o meu melhor, ou que seja o meu melhor até então.

2 – Fazer sucesso

Sou um cara vaidoso e ambicioso. Sucesso é o objetivo final, digamos assim, mas fica aqui pois é um dos mais importante. E quando digo sucesso, não quero dizer dinheirama, pois dinheiro em excesso não é legal, eu quero dizer é sucesso mesmo, consciência de ter chegado ao topo da própria capacidade, reconhecimento das pessoas pelas minhas qualidades e atitudes, etc. Como vou chegar a isso, se ganhando um Nobel, se escrevendo o livro do item 1, se posando para a G-Magazine (mas hein?!), só o destino sabe, e não quero tentar adivinhar até chegar lá.

3 – Conhecer lugares

Depois de fazer sucesso, ou durante, tanto faz, quero fazer viagens, muitas viagens. Conhecer a China, jogar vídeo game no Japão, subir em um banquinho em cima do Everest, dizer “elementar meu caro Watson” no museu Holmes, 221b Baker Street, em Londres e também fazer rapel no Grand Cânion. Mas não quero só conhecer o mundo afora, quero viajar por essa imensidão de terra que chamamos de Brasil. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, e todos aqueles pequenos estados pro lado do Rio Grande do Norte, onde vou tomar café e tocar conversa fora com várias pessoas. :)

4 – Desenvolver-se completamente

O sucesso do item 2 vai ser conseqüência desse aqui.
Quero sanar todos os defeitos que puder (não posso saná-los de vez, mas pelo menos posso diminuí-los bastante na tentativa), e potencializar as minhas qualidades. Quero acumular conhecimento para várias vidas e ler tantos livros quanto for possível para um ser humano, isso tudo sem deixar de ser simpático e agradável.
Missão Impossível? Talvez.

5 – Aproveitar o lado bom da vida

Antes de morrer, eu quero aproveitar de tudo um pouco, ou aproveitar tudo de tudo, se conseguir. Nada de atropelar decisões ou apressar circunstâncias, quero fazer cada coisa a seu tempo. Quero fazer tudo aquilo que me proporcione alegria e toda uma gama de sentimentos bons.

6 – Criar novas amizades e manter as antigas

Antes de morrer eu quero sentar em uma roda de violão e cantar com meus amigos, todos bem velhinhos, músicas que cantamos hoje em dia e músicas novas, trazidas pelos novos amigos que foram se agregando à panelinha.

7 – Aprender a tocar um ou dois instrumentos

Hoje em dia eu ainda olho com inveja os meus amigos que tocam trocentos intrumentos com perícia incrível, mas espero que antes de morrer eu toque algum também, para tirar um som quando estiver sozinho em casa.

8 – Ver que tudo o que eu fiz foi motivo de orgulho, e que não mudaria nada na minha caminhada, nem um passo sequer

Esse eu quero completar no próprio dia da morte, que é quando não dá mais tempo de repensar e achar algum erro na vida. E é só.

------------

Repasso esse meme para os amigos:

Victor, Kari, Gisele, Frodo, Marcela, Fláh, Jader e Candy. Se já receberam esse meme alguma vez, deixa pra lá. Se alguém que eu não indiquei estiver a fim de fazer esse meme, sinta-se a vontade.

Abraço!

PS: talvez eu tenha saído um pouco da proposta do meme, mas "to nem aí! to nem aí!"...

domingo, 20 de abril de 2008

Pepsi, Reflexão e Desculpas

Ontem eu me reuni com alguns amigos na casa de um deles, pra desanuviar a mente dos problemas terrenos e ocupar o estômago com a maior variedade de porcarias que o ralo dinheiro de um estudante pode pagar. Olhamos filme, jogamos conversa fora, rimos, jogamos xadrez e fizemos uma pequena conferência sobre Harry Potter, coisa inevitável em qualquer lugar onde se encontram dois ou mais pottermaníacos de carteirinha.
Desde a primeira reunião dessa natureza que eu participei, nunca tinha notado o quão bem ela faz para mim, mas agora que tenho mais responsabilidades e menos tempo livre, chego a pensar com arrependimento que antes eu não aproveitava tais ocasiões do jeito que deveria. Vocês podem achar que é choro, e não deixam de estar certos, mas é que pra mim realmente faz alguma diferença.
E uma coisa que eu venho notando é que por mais que nós pensemos que conseguimos entender a situação alheia, nós só vamos entendê-la completamente no momento em que passarmos por algo igual ou semelhante. O que me fez notar isso é que agora eu não tenho tempo pra quase nada só por causa da escola, e nessa última semana recebi convites para fazer coisas à tarde (um deles é um estágio, muito “apetitoso”), e, durante o tempo que eu pesava as idéias e tentava tomar uma decisão entre aceitar ou não, percebi que se aceitasse, meu tempo seria praticamente reduzido a nada, mas que existe gente com muito mais tarefas do que eu que vive numa boa. Espero que me acostume com a falta de tempo e o estresse constante e que essas duas pragas da sociedade moderna não reduzam meu tempo de vida.

Outra coisa que eu queria fazer é pedir desculpas, mais uma vez, aos leitores daqui pela falta de periodicidade dos textos, e principalmente pela falta de, ahn, literariedade deles. O que eu quero dizer é que meus textos estão cada vez mais raros e que cada vez menos podem ser considerados “arte”, ou “literatura”.

Sem mais.

Abraço!

domingo, 13 de abril de 2008

Informativo Virtual

Sabem, acho que peguei o ritmo da nova vida. Já é um grande feito, pelo menos o considero grande, pois parti de responsabilidades nulas para umas maiores, e isso no começo assusta. Me assustou tanto que eu não fazia nada que não fosse para sanar essas responsabilidades, até deixei esse blog às moscas e aos leitores.
Mas agora não, já consigo fazer as coisas do blog, da escola, do coral, do lazer, da cultura, e tudo isso sem deixar de dormir, hehehe. Acho que o ponto de equilíbrio certo é que o tempo em que eu não esteja me divertindo tem que ser o suficiente para que eu dê cada vez mais valor para os momentos de ócio ou com os amigos. No primeiro dia do ano eu fiquei sentado sem fazer nada a tarde toda, e quase enlouqueci por isso. Se fosse hoje, conseguiria facilmente ficar até mais do que isso.
É isso aí, vou agregando valores ao produto para que o preço final seja bem legal e lucrativo, entendem? :)

***

Lembram que eu falei sobre o concurso de contos e crônicas que vai ter na minha escola? Pois é, já mostrei alguns textos para a minha professora e vou esperar para ver o que ela acha deles. Pensamento positivo galera, pois parece que vai rolar até um prêmio em dinheiro para os primeiros colocados...

***

Terminei de ler “Robinson Crusoé” e adorei. Recomendo muito para vocês, mas o que acontece é o seguinte: ou quem ler vai gostar muito, ou vai detestar, achar que foi um tempo perdido o da leitura. Mas fica aí a sugestão para quando não tiverem muito o que fazer.
Recomecei a ler o Senhor dos Anéis, só que este é um livro que não dá para ler isoladamente. Tem que ter pelo menos uns três livros paralelos a este, por que mesmo sendo uma das melhores produções literárias de todos os tempos, é muito maçante e detalhista.

***

Hoje eu abusei da inutilidade, e este post me faz lembrar dos primeiros posts que eu escrevi, totais fracassos mas que na época eu adorei. Espero que isso seja sinal de que meu senso crítico melhorou e que não estou para a escrita hoje, e não de que eu realmente estou declinando e escrevendo cada vez pior...

Abraço!